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Por que é tão difícil fazer financiamento coletivo no Brasil?

Atualizado: Jul 10

Quando nos vimos “obrigadas” a fazer uma Campanha de Financiamento Coletivo para o FREELAS eu não fazia ideia das dificuldades que nós estávamos prestes a enfrentar. Ao mesmo tempo, foi justamente essa situação que me deu a oportunidade de refletir sobre algumas questões que considero extremamente pertinentes e que agora compartilho aqui.



Não há dúvidas de que nós brasileiros somos capazes de nos sensibilizar profundamente com as necessidades alheias. Em épocas como o Natal, por exemplo, é comum ver uma mobilização coletiva em torno de campanhas solidárias. Por que, então, seria tão difícil fazer com que alguém contribuísse para uma Campanha que me parecia tão importante?


Eu, particularmente, estou cercada de amigos e familiares que considero pessoas extremamente bondosas e caridosas, mas por que essas mesmas pessoas não se sentiam engajadas para contribuir com, por exemplo, vinte reais? O valor de um lanche que, para a maioria delas, certamente, não impactaria em seus orçamentos. Questionamentos como esses começaram a permear de forma recorrente os meus pensamentos...


No caso da Nossa Campanha especificamente – que visa desenvolver uma plataforma de geração de renda para Mulheres da Economia Criativa, um dos grupos mais impactados pela COVID-19, além de se tratar de uma causa super relevante, quem contribuir, ainda receberá, praticamente, o mesmo valor investido como crédito para usar na plataforma. Ou seja, maravilhoso! Ou pelo menos era o que me parecia.


Pouco a pouco, comecei a refletir sobre como nós, brasileiros, nos relacionamos com a ideia de colaboração e assistencialismo. Lembrei de como os milionários norte-americanos tem o hábito de Investir nas universidades em que estudaram. Porque não vemos isso no Brasil?


Tudo bem que nesse caso teríamos que falar sobre universidades públicas, corrupção e uma série de fatores que não vem ao caso agora. Mas uma questão paira no ar: se podemos ser tão sensíveis ao outro, porque parece haver uma sensibilidade seletiva?


É evidente que muita coisa tem mudado no Brasil e no mundo e o conceito de Colaboração – e até mesmo as Práticas Colaborativas – estão cada vez mais presentes, inclusive no mercado de negócios.


Ao mesmo tempo, o que observei foi que, de forma geral, quando falamos sobre “contribuição”, as pessoas tendem a fazer uma associação quase imediata à doação e, por sua vez, ao assistencialismo.


Realmente, por um lado, é compreensível que em um país onde a miséria ainda é realidade, as medidas emergenciais façam mais sentido para as pessoas. Isso faz com que tenhamos mais dificuldades em Contribuir com ações que não visem suprir necessidades básicas. Ou pelo menos não diretamente. A ajuda cogitada é aquela que é urgente! Ela não está pautada no futuro, mas na supressão de demandas imediatas.


Longe de mim querer questionar a importância de medidas assistencialistas, especialmente em países como o Brasil porque, como já dizia Betinho, “Quem tem fome tem pressa”. Entretanto, há aqui uma diferença crucial que precisa ser entendida. Assistencialismo é medida paliativa, auxiliar Projetos de Impacto é gerar Mudanças Estruturais.


Investir em projetos de educação, que contribuam para o meio ambiente, para o Fim das Desigualdades Sociais, das Opressões de Gênero, de Classe, de Raça, enfim, projetos que ameaçam as estruturas tradicionais de poder são de fato amedrontadores. Sobretudo para a classe média, tão tradicionalmente resistente a mudanças.


As doações natalinas aliviam a consciência e permitem a continuidade do status quo. Vejam bem, eu sou de classe média e não me retiro desse lugar de medo! Isso não é uma acusação. Por outro lado, pode ser uma oportunidade para que possamos rever nossos conceitos e apoiar mais Iniciativas de Impacto no nosso país!


É difícil demais ter um empreendimento e fazê-lo sobreviver por mais de três anos no Brasil – os índices que o atestem. Ter um Empreendimento Socialmente e Ambientalmente Responsável é mais difícil ainda! E nem falemos se ele ainda por cima tiver um propósito social! Isso porque, até agora, não temos os benefícios concedidos ao terceiro setor e tampouco visamos exclusivamente o lucro, como ocorre com as empresas em geral.


Negócios Sociais são Sustentáveis! Então, o dinheiro que se esgotaria numa ação pontual se transforma em um Investimento, que seguirá gerando frutos em cadeia.


Penso que, sobretudo nesses tempos onde muitas das nossas crenças estão sendo revisitadas, refletir sobre como gastamos nosso dinheiro, que tipo de ações apoiamos, por que e como as apoiamos, é fundamental para que possamos tomar decisões mais estratégicas.


Sim, nós temos medo de mudanças, nós desconfiamos do novo. Mas, creio eu, serão justamente as iniciativas de alguns resistentes grupos que permitirão a transformação das bases da nossa sociedade rumo à construção de um mundo com mais equidade.


Então, que tal gastar esse dinheiro do cafezinho apoiando uma Iniciativa Transformadora? Acredito que assim, e somente assim, poderemos ajudar de fato na construção de um mundo melhor.


O nível de escolaridade das Mulheres Empreendedoras é 16% maior que a dos homens. Apesar disso, elas ganham 22% menos que eles (Sebrae). Com a COVID-19, a situação das Profissionais Autônomas e Microempreendedoras se agravou ainda mais, sobretudo para aquelas que trabalham com Economia Criativa devido à suspensão de eventos culturais, fechamento de estabelecimentos comerciais e outras medidas para garantir o isolamento social.


Em todo o país, aumentaram os casos de violência doméstica e feminicídios, os quais estão diretamente relacionados à falta de Independência Financeira das Mulheres. Foram também elas as mais impactadas em suas atividades profissionais por, historicamente, acumularem funções domésticas e de cuidado com os filhos, as quais têm demandado ainda mais delas neste período de isolamento.


Por isso, apoiar o FREELAS é contribuir não só para a geração de renda, mas para o empoderamento, para a saúde e para a vida dessas mulheres e de suas famílias.


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Sophia Prado é doutoranda em antropologia na UFF, onde pesquisa o empreendedorismo feminino como forma de resistência. Apaixonada por trabalhar com impacto social
de forma colaborativa,
é co-fundadora e CEO
do FREELAS e da ColetivA DELAS,
ao que se dedica com muito
otimismo e entusiasmo.




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